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sábado, 27 de março de 2010



“... Como podereis vós comprar ou vender o céu, o calor e a terra? Se nós possuíssemos a frescura do ar e a frescura da água, de que maneira poderia V. Excelência compra-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada espinho do pinheiro, cada rio murmurante, cada bruma nos bosques, cada clareira, cada zumbido de inseto é sagrado na lembrança e na vivência de meu povo.
Ensinai a vossos filhos que a terra é nossa mãe. Dizei a eles que a respeitem, pois tudo o que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra...”
(Trechos da carta de Jeff Seattle, cacique Sioux norte americano – 1853)




- A BELEZA RARA DA PRAIA GRANDE -



























História do Cabo de Santa Marta Grande






A história da região abrange aproximadamente 5.000 anos, testemunhados pela presença dos maiores sítios arqueológicos tipo Sambaqui do mundo. O que deixa de livre e espontânea interpretação/imaginação de como habitavam as populações pré-históricas na região e de todo contexto físico-natural da área.
Foram encontrados vestígios de outras populações, entre elas: os ceramistas Jê e o Tupi-Guarani, tinham como base a pesca, caça e coleta de alimentos, confecção de artefatos líticos e cerâmicos.
O Cabo de Santa Marta ganhou esse nome em 1502, quando, segundo o historiador Lucas Boiteux, o comandante André Gonçalves teria chegado à região em 23 de fevereiro, dia que se festeja Santa Marta segundo o calendário romano.
Por volta de 1748, cerca de 40 casais imigrantes açorianos com alguma roupa, ferramentas, sementes e ração, num total de 215 pessoas, foram enviados para povoar a região entre Passagem da Barra, Farol de Santa Marta, Garopaba do Sul e Campos Verdes.
Giuseppe Garibaldi chegou exilado ao Brasil, e por volta de 1839, depois da construção de embarcações nos estaleiros em Camaquã, Rio Grande do Sul; chegado ao mar, seguiu para o Norte em busca do temido Cabo de Santa Marta, para contornando-o, procurar a conquista de Laguna. Tendo-a feito após ter sobrevivido a um naufrágio na laje do Campo Bom.
O Cabo de Santa Marta, primeiro acidente geográfico desde o Chui e conhecido como a esquina do atlântico, foi cenário de muitos naufrágios que resultaram num verdadeiro cemitério de navios no fundo mar. Até que em 1880 o Ministério da Marinha fazia constar à necessidade de um farol. E finalmente, em 1891, o gigante de luz proveniente de lâmpada de alcance de geográfico de 28 milhas, ao dia 11 de junho às 17 horas, 6 minutos e 21 segundos foi aceso. Junto a ele seu irmão gêmeo Chico André, que quando nasceu na localidade de campos verdes, disseram:
- Farol acendeu!
O Parto foi terminado. Então a mãe falou:
- Agora vocês me alevantam, me arrastam um pouquinho e me abram a janela, que eu quero ver a luz do Farol.
Os lampejos, além de guiar os navegantes, compõem a beleza e a cultura da região, e em conjunto com a natureza e a vila de pescadores formam um espetáculo único.
Em maio de 1909, chega seu Eliziário Patrício, que em 1947 em depoimento a revista Vida Doméstica, nos leva à reflexão:

- Aqui chegamos em primeiro de maio de 1909. Tudo isso era mato. Não morava aqui mais ninguém, a não ser os faroleiros. Quando chegamos, por não termos onde nos abrigar, fizemos uma barraca com a vela da nossa canoa, e aí moramos por muitos dias, até que fizemos um rancho de palhas. Hoje isto está como o senhor vê, todo povoado. Não sei se fiz bem ou mal.

Texto: Fundação Rasgamar – Informativo 2009/2010
Fontes: Arqueologia e preservação – Daniela da Costa Claudino e Deise Scunderlick Eloy de Farias.
Farol de Santa Marta – A Esquina do Atlântico – Celso Martins.
Estudos para criação da Reserva Extrativista do Cabo de Santa Marta Grande.