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terça-feira, 16 de abril de 2013

Rally Serramar = Agressão a Natureza




*Ofício e Fotos ONG Rasgamar


Ofício 03-2012

Cabo de Santa Marta Grande, 9 de abril de 2013

Ao Ministério Público Federal - Tubarão, SC.

Procurador Michael Von Mühlen de Barros Gonçalves

C.c.

A Policia Ambiental de Laguna, SC.

Major Jeffer Francisco Fernandes

Ao ICMBio - Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca

Maria Elizabeth Carvalho da Rocha

A FLAMA – Fundação Lagunense de Meio Ambiente

Amenar de Oliveira


Assunto: Rally Serra Mar


Senhor Procurador,
Estamos encaminhando Site e Link do Rally Serramar, evento previsto para os dias 1 a 4 de maio de 2013 no litoral sul de Santa Catarina.

Em 2012 encaminhamos Oficio 03/2012 (protocolo Nº PRM-TBA-SC-00000990/2012, em 08/05/2012) e 010/2012, que gerou protocolo em 15/05/2012 sob o nº PRM-TBA-SC-00001040/2012.

O Oficio 010/2012, trata de um trecho do Rally que atravessa uma grande extensão de Área de Preservação Permanente localizada, na região do Cabo de Santa Marta Grande, município de Laguna, SC.

Esse trecho abriga paisagem de excepcional beleza, fauna e flora destacada em diversos estudos já publicados e divulgados, além dos maiores e mais preservados sambaquis do mundo. (Fotos anexas).

Foi encaminhado pelo Ministério Público Federal RECOMENDAÇÃO Nº 18/2012 a Federação Catarinense de Motociclismo, além de outras entidades.

Ocorre que desconsiderando essa RECOMENDAÇÃO, os organizadores do evento continuam divulgando essa área como parte integrante do percurso do Rally, fato que nos motiva a fazer esse alerta, pois todo ecossistema dessa região estão sendo afetados, correndo o risco de perda total da biodiversidade desse patrimônio natural e cultural.

No site http://www.rallyserramar.com.br/ é possível comprovar que no rally manteve o percurso original, desconsiderando a recomendação do Ministério Público Federal.

Na página há fotos dos motociclistas sobre as praias, dunas e restinga na região do Cabo de Santa Marta Grande.

Motivados por esses eventos um número cada vez maior de motoqueiros, bugueiros, quadriciclos e veículos 4X4, estão usando esse espaço como estrada e treinos deixando um rastro de degradação e destruição conforme fotos que anexamos a este documento.

As praias, dunas, morros e os sambaquis são considerados Área de Preservação Permanente pela Lei Orgânica do Município de Laguna, SC, conforme Artigo Nº 129, parágrafo 2º.


LEI ORGÂNICA DO MUNICIPIO DE LAGUNA, SC.

ARTIGO Nº 129, § 2º:

Constituem áreas de preservação permanente do Município non aedificandi, e sua utilização far-se-á na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais:

I - áreas verdes dos morros e coberturas florestais nativas e primitivas, obedecida a legislação federal pertinente;

II - monumentos e paisagens de excepcional beleza;

III - sítios arqueológicos, inclusive o Morro do Casqueiro, na localidade de Cabeçuda;

IV - Parque Municipal do Morro da Glória;

V - Morro do Gy;

VI - Morro do Iró;

VII - Morro do Cabo de Santa Marta Pequena;

VIII - Morro da Ponta da Ilhota até a Praia da Tereza;

IX - Morro do Cabo de Santa Marta Grande;

X - Lagoa de Santo Antônio dos Anjos;

XI - mananciais de água que abastecem a cidade;

XII - rios, lagoas, lagos, córregos e quedas d`água situadas na circunscrição do Município;

XIII - as praias e as dunas que as margeiam;

XIV - a área que começa na ponta do Tamborete, seguindo o rumo sul pela Ponta do Gravatá, praia do Gravatá, até o final da praia do Siri, a contar da faixa de marinha ao cume dos respectivos morros;

XV - lagoa do Nóca, na Ponta da Barra;

XVI - morro do Itapirubá.

§ 3º. As áreas de preservação permanente, de relevante interesse ecológico e proteção ambiental não poderão ser transferidas a particulares a qualquer título.

Segundo a Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, Lei dos Crimes Ambientais, na Sessão III - Da Poluição e outros Crimes Ambientais:

Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:

§2º Se o crime:

IV – dificultar ou impedir o uso público das praias.

Decreto Nº 3.179, de 21 de setembro de 1999, Sessão III - Das Sanções Aplicáveis à Poluição e outras infrações Ambientais:

Art.37. Destruir ou danificar vegetação fixadora de dunas, objeto de especial preservação.


Atividades de educação e recreativas ficam restritas pelas ameaças

Cabe salientar a existência de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, a exemplo do Tuco-tuco (Ctenomys minutus) um roedor que é encontrado no Morro do Cabo de Santa Marta Grande, raramente avistado.

  Tuco-tuco (Ctenomys minutus) espécie endêmica do sul do estado presente no Morro do Cabo de Santa Marta Grande

A Coruja- buraqueira (Athene cunicularia), o piru piru (Haematopus palliatus), o cágado, a lebre entre outros, são exemplos de fauna avistados com muita freqüência na área diretamente afetada pelos veículos.

"As características biológicas únicas do local, cada vez mais raras devido a ocupação de ambientes costeiros, proporcionam um ambiente importante para diversas aves que procuram locais onde possam se alimentar e reproduzir, servindo também como habitat temporário de aves migratórias que procuram um ambiente adequado ao fugir do inverno em seus respectivos países de origem.” Estudo Preliminar da Riqueza de Avifauna da Restinga no Sul do Município de Laguna (MENEZES, 2009).

Ninho de Coruja Buraqueira (Athene cunicularia).

Local de nidificação de aves nativas, filhote de Piru piru (Haematopus palliatus).

Aquiferos interdunares abrigo de fauna. Cágado.

“Estradas que cortam a restinga, loteamentos, plantação de plantas exóticas e tráfego de veículos motorizados são exemplos de impactos que limitam a sobrevivência de espécies mais sensíveis. (...) Em contraste com a degradação da área e o número elevado de espécies antrópicas, a presença de algumas espécies endêmicas do ambiente de restinga comprova a importância do local para a manutenção da avifauna". (MENEZES, 2009)

Atropelamento da fauna. 

Os sítios arqueológicos, sambaquis, são constantemente afetados pela depredação. O patrimônio histórico e cultural da humanidade sofre com os efeitos irreversíveis da erosão e desfiguração dos monumentos pré-histórico
Sambaqui Cabo de Santa Marta Grande III, sítios pré históricos depredados

Em diversas abordagens, a fim de educar estes usuários, resultam em conflitos. Há claramente uma disputa entre pessoas que utilizam o espaço para apreciação da beleza natural, valorização e educação, e pessoas que, de certa forma, privatizam o espaço, trafegando em alta velocidade e desgovernados com a finalidade de “treinamentos” ou “aventuras” em seus veículos.



O decreto nº. 5.300/2004, em seu artigo 18 estabelece que:

Art. 18. A instalação de equipamento e uso de veículos automotores, em dunas móveis, ficarão sujeitos ao prévio licenciamento ambiental, que deverá considerar os efeitos dessas obras ou atividades sobre a dinâmica do sistema dunar, bem como à autorização da Secretaria do Patrimônio da União do Planejamento, Orçamento e Gestão quanto à utilização da área de bem de uso comum do povo.


Diante do exposto que está colocando em risco todo patrimônio natural e cultural da região do Cabo de Santa Marta, Laguna, SC, e que compete ao Ministério Público Federal proteção do meio ambiente, sugerimos:

1) QUE seja excluído do trecho do Rally Serramar, toda Área de Preservação Permanente do município de Laguna, SC, em especial da Praia Grande do Norte e região do Morro do Céu, Cabo de Santa Marta Grande;

2) Abertura de Ação Civil Pública para proibir o tráfego de veículos em toda Área de Preservação Permanente, em especial da Praia Grande do Norte e região do Morro do Céu, Cabo de Santa Marta Grande, Laguna, SC;

3) Obrigar o município de Laguna, SC, a sinalizar com placas, as Áreas de Preservação Permanentes da região do Cabo de Santa Marta Grande, assim como está fazendo na Praia do Mar Grosso;

4) Definição de multa e outras penalidades aos infratores, conforme a Lei de Crimes Ambientais, Lei Federal Nº 9.605/98.

Atenciosamante

ONG-Rasgamar – N a Defesa da Natureza


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Momentos...


"Pena que os homens não se deixam mais encantar pela obra de Deus. Vedaram seus olhos e taparam o ouvido. 

Não enxergam mais as flores, nem ouvem mais o canto dos passarinhos.

O sol e lua não nascem, nem se deitam mais! É a rotação do planeta Terra, pronto! 

Contemplar a natureza é perder tempo e dinheiro.

Tudo é matéria prima para fazer negócios. 

Tudo vira mercadoria a ser explorada, ser comprada e vendida, exportada e consumida!

Por isso os homens derrubam e queimam a floresta, represam e sacrificam os rios, assassinam os animais da mata, envenenam as plantas e os pássaros.


Os homens perderam o coração. Tornaram-se insensíveis, brutos, cruéis. Decidiram matar a vida."

Boca do Rio Maxipanã, São Pedro, março de 2012.






Momentos no Cabo de Santa Marta Grande








Fotos Rasgamar


"Tudo o que acontecer a Terra acontecerá aos filhos da Terra"

Seattle 1853 

domingo, 1 de abril de 2012

Chega de esgoto 2012


Protesto contra esgoto da Prainha do Farol de Santa Marta

Domingo, 1º de abril de 2012, acontece mais um protesto contra o esgoto da Prainha do Farol de Santa Marta - II campeonato infantil “Chega de Esgoto”.

Crianças e adolescentes aliam paixão pelo futebol a Prainha em um só pedido uma praia limpa.

Dezenas de pessoas participaram da manifestação pacifica que tem como objetivo chamar a atenção do poder público para o problema.

“O protesto vai ser anual, daqui em diante vamos fazer manifestações planejadas, pois já faz 20 anos que alertamos sobre o problema”. Afirma João Batista Andrade, presidente da ONG-Rasgamar.

O tema já foi motivo de várias manifestações, discussões, debates e reportagens, mas até o momento não conseguimos sair do papel.

 A situação está piorando e ameaçando a saúde das pessoas que usufruem da faixa de areia no cotidiano, como por exemplo, as crianças da escola que tem a Prainha como área de lazer e diversão.

Sobretudo é uma ameaça a saúde pública, pois o esgoto “in natura” desemboca sobre a faixa de areia, o problema afeta também diretamente o turismo local.

Um documento foi enviado a CASAN em Florianópolis na semana passada pela Associação de Pescadores do Cabo de Santa Marta Grande (A.P.A.Fa) e ONG-Rasgamar para que a estatal realize uma reunião na comunidade e comece a discutir a canalização e tratamento dos córregos que desembocam na Prainha.

A solução já foi apontada pela UNESC em trabalho realizado na comunidade onde aponta para o tratamento em pequena escala.

A primeira etapa é a canalização do esgoto que está junto com o pluvial e depois o tratamento em pequenas estações antes do despejo do efluente.






A criançada deixa seu recado pelas praias limpas sem esgoto e sem poluição.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PRESERVAÇÃO X DESTRUIÇÃO



E VOCÊ, O QUE FAZ PELA NATUREZA?
"Ensinai a vossos filhos que a Terra é nossa Mãe, dizei a eles que a respeitem, pois tudo o que acontecer a Terra acontecerá aos filhos da Terra", Seattle



Fotos Rasgamar - Na defesa da Natureza

Prainha verão 2009


                                                                                                 Prainha inverno 2009




                                                                                                     Para aonde vamos!

"Lazer"


Aterramento de aquífero para construção de loteamento




Trafego de veículos, praia do Cardoso

                         Manifestação comunitária pela solução do esgoto da Prainha 2011

Desrespeito ao patrimônio histórico. Veículo no Sambaqui Santa MartaIII



Proposta de ordenamento do território

Farol 1950 Foto: Renato Cechinel

Prainha 2010



Farol de Santa Marta quem AMA DEFENDE, PROTEGE

Verão 2012

APENAS FAÇA SUA PARTE!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

TRADICIONAL FESTA DE SANTA MARTA 2011

Farol de Santa Marta
26 a 4 de dezembro de 2011




Convidamos sua família a participar da semana comemorativa de Santa Marta a padroeira de
nossa comunidade.




Programação das festividades


Celebração das Novenas


26.11.2011 Sábado

20h00min: Abertura da semana de novenas na Igreja de São Pedro

 27.11.2011 Domingo


20h00min: Novena festiva com o Grupo Irmãos de Santo Antonio de Laguna


28.11.2011 Segunda feira


20h00min: Novena festiva com o Grupo de Irmãos de Magalhães



29.11.2011 Terça feira


20h00min: Novena festiva com o Grupo do Farol de Santa Marta



30.11.2011 Quarta feira


20h00min: Novena festiva com o Grupo do Farol de Santa Marta



01.12.2011 Quinta feira


20h00min: Novena festiva com a comunidade da Cigana



02.12.2011 Sexta feira


20h00min: Novena festiva com a comunidade de Campos Verdes




03.12.2011 Sábado



20h00min: Transladação com a imagem da padroeira e novena com a comunidade da Passagem da Barra.



23h00min: Baile com o Grupo Bailaço no Salão Paroquial



04.12.2011 Domingo




10h00min: Missa Festiva na Igreja de São Pedro



12h00min: Almoço no Salão Paroquial



16h00min: Procissão com a imagem da Padroeira Santa Marta



17h00min: Domingueira no Salão Paroquial com o Grupo Bailaço



19h30min: Intervalo



21h30min: Baile de encerramento com o Grupo Bailaço

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ESTÃO PROSTITUINDO O NOME E A CULTURA DO FAROL DE SANTA MARTA


O histórico Farol de Santa Marta, construído em 1891 para guiar os navegadores e a centenária vila de pescadores construída em seu entorno tem seu nome e imagem prostituídos pela ganância dos novos exploradores.

A cada dia se vê a imagem ou o nome do Farol de Santa Marta, nosso símbolo, em alguma coisa.

Nomes de sites, camisetas, bares, pousadas, loteamentos e até imobiliária. Tudo comandado pelos “caros” de fora, oportunistas, que intensificam a prostituição.

Algumas mensagens fogem a regra e imitam campanhas da tradicional ONG-Rasgamar, nativa do Farol, ÚNICA, que atua desde a década de 80 produzindo camisetas artesanais com mensagens ecológicas para ajudar na preservação do patrimônio natural e cultural do lugar.

Infelizmente, algumas pessoas nativas do Farol de Santa Marta ao invés de fortalecerem a luta em defesa do patrimônio colocado a sua disposição, aliam-se a esses exploradores, falsificadores e oportunistas aumentando a prostituição que tende a se intensificar.

O resultado disso é que a cada dia aparece uma camiseta diferente, ou outro artigo usando a figura do Farol de Santa Marta, única e exclusivamente para vender, explorar, descaracterizar e contribuir para destruição do lugar.

Junto com a prostituição está vindo o público que ajuda a prostituir. A divulgação que estão fazendo do Farol de Santa Marta na mídia escrita e falada e a tendência suicida de fazer “eventos internacionais” coloca em cheque o último lugar “roots” de Santa Catarina.

E a coisa vai se agravar!

O Farol de Santa Marta está virando “TERRA DE NINGUÉM”.

Exploram o nome do lugar e depois do feriado e da temporada fecham o caixa e deixam os prejuízos.

Gente que não tem nenhuma vida social no lugar, não participa de nada. Estranho que se diz nativo, e o “nativo da ocasião” aqueles que não estão nem aí para o Farol de Santa Marta. Queimam o nosso nome e a nossa cultura, não conhecendo uma vírgula de nossa história.

Estabelecimentos onde tudo parece ser feito no Farol de Santa Marta, mas na real, tudo vem de fora, “Made in China”, enganam o turista, visando uma única coisa: O dinheiro!

A nossa arma é o consumo. O turista pode ajudar evitando esses produtos.

Exija procedência daquilo que você compra ou aluga e ajude a salvar o nome e a imagem do Farol de Santa Marta da prostituição total.

A mesma prostituição que está trazendo para o lugar milhares de pessoas SOMENTE para passar a noite, consumir bebidas alcoólicas, usar drogas pesadas e atordoar nossas famílias.

É triste pensar que há pouco tempo atrás tínhamos um público bem diferente.

Famílias, forró, reagae, free surf, contato com a natureza e nativos andando pelas ruas.

Uma boa lembrança. Do paraíso ao inferno!

Esse não pode ser o fim do Farol de Santa Marta.

Tome a sua atitude, informe-se, visite o espaço da Fundação Rasgamar, localizado na Prainha, conheça a nossa história e participe dessa discussão.

Colabore para a preservação da imagem, da natureza e da cultura do lugar. Este é o papel de quem o valoriza.

sosfaroldesantamarta@gmail.com
sosfaroldesantamarta.blogspot.com


Participe e divulgue a informação real da centenária comunidade de pescadores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

" DESTRUIÇÃO, MACABRO, SINISTRO!!! "








CUMBE – EÓLICAS MASSACRE CULTURAL

Valéria Oliveira


É assim, quando alguém tenta ir mais além um pouquinho, imagine esse além, o fundo do quintal da sua casa, local em que costumeiramente se brincava, se congregava, se banhava, onde se pescava! Pois então basta alguém querer ir até o cemitério da comunidade do Cumbe ou ir até uma lagoa, ou até os sítios arqueólogicos, ou ainda até a praia na beira do mar, pra pescar ou apenas tomar o costumeiro banho, hora de lazer, local de brincadeiras de crianca, pois ISSO NÃO PODE!! Os tempos mudaram!?? E o que ocorre? Quem por ventura quiser chegar a qualquer um desses cenários sera impedido, e assim que os membros da comunidade do Cumbe sao recebidos; NÃO PODE! E PROIBIDO! VOLTA! AQUI NÃO PASSA!

Submetidos semanalmente a uma série de constrangimentos! Estudantes de universidades, corpo docente e discente, pesquisadores, historiadores que utilizavam o Cumbe como área de estudos, municipes, cidadãos em geral, pescadores, marisqueiras, artesãos, moradores da localidade, bugueiros que comumente utilizavam esses espaços culturalmente arraigados em suas histórias, perderam, esse direito de ir e de vir, e como!

Há um litígio silencioso, pois que até o momento os profissionais, as pessoas constrangidas e impedidas de transitar na localidade realizando seus trabalhos, lazeres, pesquisas ainda não registraram oficialmente através de um TCO a ocorência do impedimento de seu trânsito em locais até então de livre acesso. E apesar de manifestarem publicamente a insatisfação, fato que por diversas vezes já gerou discussão entre trabalhadores que lá se encontram contratados pela empresa eólica para manter vigilância rígida na localidade, os profissionais que normalmente transitavam pela área, se calam por pensar que podem menos, que a impunidade impera, e que jamais serão respeitados porque nao tem dinheiro, ao contrário das empresas ali instaladas – as famigeradas empresas de energia eólicas, que foram instaladas sem os devidos licenciamentos e sem os estudos de impacto ambiental, ferindo assim a lei magna do país em seu art.225, dentro da unidade de conservacão APA de Canoa Quebrada e que desde os primeiros aerogeradores ali instalados tem gerado vários conflitos sócio ambientais, um dos momentos mais contudentes foi quando a Comunidade do Cumbe impediu por 19 dias o tráfego dos veículos das empresas em atividades, dentro da comunidade.

Ao nosso conhecimento já chegaram três episódios que se sucederam em face de disputa pelo uso do território, nos quais podemos citar que estiveram envolvidos isoladamente a Professora Angela Bandeira, o Historiador Ocivan Moreira e o Especialista em Museologia João Luis Joventino, todos em atividades pedagógicas, tendo este último sendo impedido de conduzir técnicos do SESC Nacional para registrar o cemitério centenário da comunidade do Cumbe.

A incomunicabilidade, o silêncio dos agredidos sutilmente reforça o poderio das empresas agressoras que passo a passo dominam o território e avançam intimidando, impondo, ameaçando, suprimindo o exercício das atividades comunitárias, restringindo os acessos garantidos constitucionalmente, quer pelo exercício da cidadania brasileira, quer pelo status que e dado enquanto população e comunidade tradicional.




Não bastasse a ferida aberta no seio da natureza que ali está exposta, a foz do rio Jaguaribe, seguindo até Canoa quebrada vai perspassando pelos arredores do Cumbe, Beirada e Canavieira onde foram aterradas lagoas interdunares, desmontadas dunas móveis e vegetadas, seccionados lençois freáticos, impermeabilizado quilometros de dunas com adição de argila vermelha que quando chove mais parece um sangramento tingindo as águas antes azuis, das poucas lagoas que ainda restam, alteração macabra de um cenário que sendo parte do complexo lagunar e área de aves internacionais em rota migratória, compreende esse cenário áreas de preservação permanente, dentro da unidade de conservação Apa de Canoa Quebrada, dentro da zona costeira, o maior parque arqueologico do Ceará, território de povos tradicionais e portanto deveria ser altamente protegido.

Lamentamos viajar na contramão da história, onde criamos leis, e ao mesmo tempo não as aplicamos! Por quê?!

A empresa aos poucos vai ganhando espaço diante da passividade, do silêncio da comunidade, dos profissionais, da impunidade campeante diante dos fatos, e deixam que palmo a palmo o seu território seja reduzido, seu meio de vida destruido e sua cultura ser desarticulada.

Obviamente há um jogo de poder! Fala-se de produçao de energia limpa, mas o processo da instalação dessa energia se deu de forma suja, situado dentro de Unidade de Conservação, obra de grande impacto, fracionaram os parques para dar idéia de obra pequena e de pequeno impacto, pois os devidos estudos de impacto não foram realizados e o que vemos hoje são consequências da ausência dos estudos, e quem sabe mais o que vira? Que tipo de materiais foram utilizados ao longo dessas obras, que acompanhamentos tiveram? Socioambientalmente o que representa a quebra dos costumes e as alterações no ambiente pra essa região? E pra esse povo?

Os moradores do Cumbe estão ficando acuados! Não podem ter acesso ao cemitério, não podem ir até as lagoas, não podem pescar no mar e ir à praia, não podem visitar seus sítios arqueológicos, não podem andar nas dunas. Os profissionais que vivem do turismo da pesquisa não podem levar seus turistas pra ver nem tomar banho em lagoas, não podem levá-los pra conhecer o cemitério centenário, não podem mostrar os sítios arqueológico. Os pesquisadores não podem nada! Os alunos nao podem nada! A comunidade do Cumbe não pode nada! ATÉ QUANDO GENTE ?

O Cumbe e um laboratório vivo e a céu aberto! É território nosso!!! Indignação..gente....!!! Isso que vem acontecendo com o Cumbe é massacre cultural! POR QUE FICAR CALADO?

Valéria Oliveira –Especialista em Gestao Ambiental, Bacharel em Direito.